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Dados divulgados pelo Banco Central indicam que o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) apresentou um crescimento de 2,5% em 2025. Embora o indicador que é considerado uma prévia do PIB – Produto Interno Bruto tenha apontado evolução, a sensação é que a economia viveu um período de estagnação.
Entretanto, para o setor de eventos, essa não foi a realidade vivida no último ano. Apresentando uma recuperação extraordinária e consolidando seu protagonismo no cenário econômico brasileiro, o segmento foi responsável pela geração de 186 mil empregos e por uma movimentação financeira que superou R$ 140 bilhões.
Esses dados foram divulgados pelo Radar Econômico do Setor de Eventos, relatório produzido pela ABRAPE – Associação Brasileira dos Promotores de Eventos utilizando como base as informações do Ministério do Trabalho e Emprego, da Receita Federal e do IBGE.
A amplitude do setor de eventos, que engloba desde as produções culturais como os shows musicais, até ações corporativas tendo como público alvo profissionais de um segmento de mercado específico, fez com que o bom resultado do setor também promovesse impactos positivos em segmentos como o turismo, a alimentação e a hotelaria.
Basta lembrar que somente o show gratuito protagonizado pela cantora Lady Gaga, que aconteceu na Praia de Copacabana em maio de 2025, contou com um público aproximado de 2,1 milhões de pessoas e foi o principal responsável por uma ocupação na rede hoteleira carioca superior a 90% durante o período imediato que antecedeu e sucedeu a apresentação.
Comparativo econômico
Os dados revelados pelo balanço anual são ainda mais significativos se analisados com base no comparativo com outros segmentos de mercado. Somente o estoque de vagas do setor de eventos, índice relevante para compreender o potencial econômico, fechou o ano passado com um crescimento de 81,7% relativo aos empregos formais.
O percentual, além de ser superior ao registrado em 2019, período imediatamente antes da crise pandêmica, superou setores clássicos da economia nacional como a construção civil, que registrou uma alta de 40,7%, o comércio, com crescimento de 16,6% e a própria atividade industrial.
A importância do PERSE
Criado com o objetivo de mitigar os impactos econômicos promovidos pela pandemia, quando praticamente o setor de eventos inteiro parou devido aos protocolos de saúde exigidos para o período, o PERSE – Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos contribuiu de forma efetiva para a conquista dos bons resultados no exercício passado.
Além de aspectos estratégicos para a sobrevivência das empresas como a desoneração fiscal e o refinanciamento de dívidas, a iniciativa também teve um impacto imediato na formalização do trabalho.
Tendo ligação direta com mais de 50 atividades profissionais, muitos empreendedores do setor de eventos preferiam atuar na informalidade. A estabilização e o respectivo crescimento do segmento foram elementos impulsionadores para o ingresso formal de muitas pessoas.
As leis de incentivo como elemento impulsionador do setor
O PERSE tem, na atualidade, um caráter estratégico dentro do setor de eventos. Sua importância fica ainda mais evidenciada no momento em que se percebe que, de certa maneira, se trata da única legislação em nível nacional voltada ao fomento do setor.
Enquanto diversos outros segmentos de mercado possuem vetores para impulsionar os negócios, como a redução de impostos e, até mesmo, o incentivo de leis para atração de empresas e organizações, o setor de eventos enfrenta a situação oposta.
Muitas ações, para se tornarem realidade, acabam enfrentando dificuldades dobradas e, até mesmo, sendo tributada com valores muito altos. Entender a importância desses incentivos para melhorar ainda mais os resultados é uma prerrogativa fundamental para o setor.
Milhões de trabalhadores beneficiados
Se a estabilidade e crescimento das empresas é um índice extremamente relevante para compreender o bom momento do setor de eventos em escala nacional, ao analisarmos a geração de empregos de toda a cadeia do negócio os resultados ganham ainda mais relevância.
Levando em consideração as 52 atividades profissionais diretamente impactadas dentro do setor, no conceito amplo do hub setorial, foram criados mais de 165 mil vagas no último ano. Vale lembrar que já em 2024 havia sido registrado um total superior a 190 mil novos postos de trabalho.
O somatório dos bons resultados nos dois últimos anos fez com que o estoque total no hub setorial finalizasse 2025 com um total superior a 4,2 milhões de postos trabalho.
Círculo virtuoso
Não é necessário compreender a economia de forma avançada para entender que a geração e manutenção de empregos provoca, imediatamente, reflexos nos mais diversos setores econômicos. A ideia de um círculo virtuoso, em que um bom resultado agrega valor para a geração de novos resultados positivos, se manifestou de forma evidente no setor de eventos no último ano.
Conforme matéria publicada no site do Diário do Comércio o “avanço do emprego refletiu-se no consumo associado ao setor. Em dezembro de 2025, a estimativa de consumo em recreação atingiu R$ 12,5 bilhões, maior valor mensal da série histórica iniciada em 2019. No acumulado de janeiro a dezembro, o consumo totalizou R$ 140,9 bilhões, crescimento de 5% em relação aos R$ 131,8 bilhões registrados em 2024”.
Manutenção dos bons resultados
A melhor notícia é que existe a previsão de que o crescimento se mantenha em 2026. Com uma ampla agenda de eventos e ações sendo desenvolvidas em todo o país, o público, as marcas e os organizadores devem registrar momentos e resultados verdadeiramente memoráveis neste ano que se inicia.
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