Os grandes eventos como vetores de impulsionamento para os pequenos negócios

Os grandes eventos como vetores de impulsionamento para os pequenos negócios

por | out 21, 2024 | Blog

Crédito da imagem: CANVA

Quando analisamos os números de um grande evento, os dados tendem a impressionar. Em um rápido levantamento de dados referentes ao Rock in Rio, que aconteceu no mês de setembro passado na Cidade Maravilhosa, podemos constatar que o público total das apresentações foi superior a 730 mil pessoas, oriundas de mais de 31 países diferentes.

Somente a roda gigante, uma das tantas atrações disponíveis na Cidade do Rock, contou com um público estimado de 27 mil pessoas. Na gastronomia, os dados também chamam a atenção. Durante os dias de música foram consumidos um total de 520 mil litros de chopes e apenas umas das operações de lanchonete vendeu mais de 160 mil hamburguers.

Se os dados a respeito da organização total de uma grande ação, realmente, se destacam pela expressividade e pelo volume, mais importante ainda é perceber como essas informações também podem ser lidas visando reforçar a ideia do quanto o setor de eventos vem se consolidando como uma poderosa ferramenta na geração de renda e no crescimento econômico.

Nesse sentido, os dados do maior festival de música do país comprovam esse panorama. Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, que levou em consideração informações repassadas pelos organizadores da edição 2024 do Rock in Rio, identificou que mais de 32 mil postos de trabalhos foram criados para atender as demandas do festival.

Por ser um evento em que 60% do público era formado por pessoas não residentes no Rio de Janeiro, a organização criou uma iniciativa inédita em que os ingressos das apresentações proporcionaram descontos diferenciados em diversos pontos turísticos cariocas com o célebre Cristo Redentor.

Hub setorial

Mas, qual a relação concreta entre as estratégias comerciais do principal evento roqueiro do país com o impulsionamento dos pequenos negócios? Na realidade, as relações são muitas e amplamente diversificadas.

A grande quantidade de postos de trabalhos gerados para o evento, por exemplo, possibilitou uma geração de renda positiva para as comunidades envolvidas. Mais dinheiro circulando impacta no crescimento de toda a sociedade.

É importante lembrar que o hub setorial do mercado de eventos é composto por uma grande quantidade de atividades distintas, e que um evento de grandes proporções tende a gerar resultados positivos para profissionais de diversas categorias e empresas dos mais diversos tamanhos e segmentos.

Não é demais lembrar que além de acompanhar a maratona de shows, muitas pessoas aproveitaram para conhecer de forma mais aprofundada o Rio de Janeiro movimentado áreas como hotelaria, gastronomia e prestação de serviços. Ou seja, mais gente consumido gera mais resultados para todos os envolvidos.

Profissionais especializados

Um dos impactos da pandemia de Covid-19 que ainda pode ser sentido dentro do setor de eventos é a escassez de mão de obra em determinadas áreas. Com o cancelamento impactando quase 100% das ações durante o período de maior gravidade, muitas pessoas e profissionais precisaram buscar fontes alternativas de renda.

A normalização do cenário, entretanto, não provocou na mesma medida o crescimento do número de profissionais disponíveis. Pesquisas registradas no mercado brasileiro indicam que a defasagem de trabalhadores em determinadas áreas chegou a atingir 40% no mercado de eventos.

O bom momento do setor na atualidade deve ser visto pelas pessoas e pequenos negócios como uma oportunidade altamente interessante de obter bons resultados. Em uma matéria publicada na imprensa, a coordenadora nacional de Economia Criativa do Sebrae, Denise Marques, ressaltou que além de promover o encontro entre o público e as marcas, os grandes eventos também são boas oportunidades de negócios para profissionais técnicos especializados.

“Festivais de música não impactam apenas a economia criativa, mas toda a economia. Os donos de pequenos negócios precisam ficar atentos às oportunidades do período, oferecendo produtos e serviços diferenciados para o público do evento”, afirmou a coordenadora.

Relacionamento e engajamento

Relacionamento e engajamento se consolidaram, dentro das estratégias comerciais contemporâneas, como dois dos maiores objetivos de um evento. Afinal de contas, uma ampla feira ou mesmo um grande concerto musical podem se traduzir em excelentes oportunidades para promover experiências de valor junto ao público e, assim, ampliar os resultados e fortalecer a imagem corporativa das marcas.

Por isso, vale lembrar que oportunizar empregos e oportunidades de trabalho para as comunidades locais também são atitudes que contribuem muito com o sucesso das ações. Quem atua no mercado de eventos sabe que contar com uma equipe capacitada e habilitada para o exercício de suas atividades é essencial.

Por isso, investir no relacionamento com os colaboradores, profissionais contratados, prestadores de serviços e parceiros comerciais é uma ótima iniciativa para engajar os diferentes tipos de público.

Empreendedorismo

Que a atividade empreendedora é algo presente no DNA dos brasileiros não resta dúvida. Uma pesquisa publicada no primeiro semestre deste ano registrou que, em todo o país, há aproximadamente 90 milhões de empreendedores.

Os empreendedores e gestores de pequenos negócios devem encarar os grandes eventos como uma excelente oportunidade de crescimento. Vale enfatizar, porém, que planejamento, preparação e senso de oportunidade são fundamentais.

Da confecção de roupas e bonés até o fornecimento de itens de alimentação, como é o caso dos Food Trucks, há um enorme potencial de áreas para o desenvolvimento de negócios que tenham como objetivo atendar as demandas dos clientes dos grandes espetáculos.

Turismo de eventos

A atividade turística se consolida de forma cada vez maior como um elemento de valor dentro da economia contemporânea. Muitos países do mundo, incluindo o Brasil, tem no setor um importante vetor de desenvolvimento econômico.

Nesse sentido, é válido registrar que como consequência dos grandes eventos, existe o deslocamento acentuado de pessoas, o que é o elemento principal para a realização do turismo. Muito mais do que curtir um show, ou enriquecer o repertório de saberes com os conhecimentos de uma palestra ou de um congresso, quem viaja para um evento busca viver experiências de valor.

E, para ter essas vivências, uma série de atividades acabam sendo necessária, como, por exemplo, as agências de viagens, os guias turísticos, os estabelecimentos gastronômicos, a hotelaria e o setor de transporte. Além disso, há a necessidade de atender as demandas do próprio evento como as áreas de segurança, decoração e alimentação.

De acordo com o SEBRAE, é necessário identificar quais são os principais eventos que acontecem em sua cidade ou região, e encontrar as formas de fazer parte deles. “Uma dica importante: a chave é estabelecer parcerias com os principais players do negócio. Mas, para isso, é preciso planejamento”, destaca o serviço de apoio às empresas de pequeno porte.

Democratização da economia

As alterações no consumo e as mudanças no perfil dos clientes, vem promovendo importantes quebras de paradigmas nas relações comerciais. Inclusão, diversidade e sustentabilidade são três valores que ganharam grande relevo nos últimos anos.

O mesmo acontece com o desejo por uma economia mais democratizada. O setor de eventos busca ampliar a participação dos players no mercado e, com isso, proporcionar às marcas e ao público experiências de valor ressaltando que o melhor resultado será sempre aquele em caráter coletivo.