O desenvolvimento do setor de eventos através de ações coletivas e integradas

O desenvolvimento do setor de eventos através de ações coletivas e integradas

por | jun 6, 2025 | Blog

Crédito da imagem: FreePik

No final do mês de maio, o Ministério do Turismo lançou uma ferramenta que, com certeza, irá contribuir para dinamizar e impulsionar ainda mais o setor turístico e de eventos em todo o país. Trata-se de um banco de imagens hospedado na plataforma Flickr que permite a qualquer pessoa, empresa ou instituição acessar fotografias que retratam diversos pontos turísticos do território nacional, além de eventos nacionais e internacionais.

Sob essa perspectiva, vale ainda lembrar que o ministério mantém o MTur Destinos, composto por um banco de dados que reúne fotografias de todas as capitais brasileiras, desde os cartões-postais mais conhecidos até locais paradisíacos que ainda se encontram fora do radar do turismo de massa. No sistema, o que torna a navegação ainda mais fácil e a busca mais interativa é que toda as imagens estão organizadas em álbuns temáticos por estado e região, permitindo que usuários, operadores de turismo, jornalistas e produtores de eventos e de conteúdo encontrem facilmente material visual de qualidade para seus projetos.

Em uma época na qual o marketing digital se consolidou como um elemento decisivo no processo de escolha e de compra, basta lembrar que enquanto a audiência televisiva vem apresentando quedas seguidas e, em contrapartida, o tempo de uso de smartphones e redes sociais só cresce, investir em recursos que facilitem o encontro das informações e promovam as atividades, tende a ser uma estratégia de sucesso.

A novidade divulgada recentemente pelo Ministério do Turismo reforça um tema de grande relevância na atualidade: a importância das ações integradas entre a administração pública e os gestores privados de eventos em busca do fomento e do fortalecimento do setor em todo o país.

Analisando o panorama nacional, é possível encontrar diversos exemplos de parcerias de sucesso entre o poder público e a inciativa privada. Basta pensar, por exemplo, nos benefícios que o desenvolvimento das PPPs – Parcerias Públicos Privadas trazem para o progresso regional de cidades em todo o país.

Benefícios

E por falar em benefício das ações conjuntas, além do desenvolvimento socioeconômico regional, ainda é possível citar a promoção e valorização da cultura e das belezas naturais da região, o aumento da visibilidade da localidade, o compartilhamento de riscos entre os entes envolvidos em um projeto e a melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade.

Vale mais uma vez reforçar que a consolidação de uma localidade como um destino turístico se deve fortemente a união dos esforços. Um excelente exemplo recente de sucesso nessa área foi o show da cantora Lady Gaga na praia de Copacabana. O evento se transformou em um acontecimento mundial, trazendo turistas de diversos países para curtir a apresentação, fruto da união de esforços do governo do estado com os produtores independentes.

A importância do Perse

Na análise do mercado brasileiro de eventos, um exemplo de absoluto sucesso que traduz essa união de forças entre o governo e o setor produtivo são os resultados obtidos pelo Perse – Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos.

A iniciativa foi criada com o objetivo de mitigar os prejuízos do setor de eventos devido a pandemia de Covid-19 que praticamente reduziu a zero o número de eventos, o que ocasionou de forma direta a dizimação de muitas empresas que atuavam no segmento, além da perda de milhares de postos de trabalho.

Independentemente das ideologias políticas, é correto afirmar que o Perse foi um dos programas e ações mais bem sucedidos na tentativa de enfrentar os desafios impostos pela pandemia. Com uma legislação coerente e que beneficiava diversas áreas do hub do setor eventos, muitas empresas tiveram a oportunidade de se reestruturar e, assim, desenvolver atividades que contribuíram para aquecer o setor econômico de maneira geral.

No período subsequente à decretação da pandemia, de forma mais específica em 2023, o Brasil registrou um gasto recorde de turistas no valor de R$ 34,5 bilhões conforme dados divulgados pela Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo. É inegável e incontestável que uma parcela significativa desse montante se deve à atuação resiliente das empresas no setor de eventos.

No ano passado, o movimento “Vamos com Eventos e Turismo” lançou uma campanha em defesa da manutenção do Perse em que demonstrava alguns dados econômicos que reforçam a importância do programa para a economia nacional. Entre as principais informações estão:

  • Mais de R$ 28 bilhões em renegociações fiscais;
  • Estimativa de consumo de R$ 118,4 bilhões em 2023 referente os setores envolvidos, representando um crescimento de 11,5% em relação ao ano anterior;
  • Geração de mais de 234 mil empregos somente em 2023;
  • Fortalecimento do PIB nacional.

Recentemente, a continuidade do Perse tem estado no centro de um grande debate no país. De um lado, o governo federal defende a ideia de que o programa deve ser encerrado em função do alcance do teto estabelecido pela lei. Em contraposição, estão os profissionais e empresas do setor que entendem o papel decisivo da lei na recuperação e no desenvolvimento do setor de eventos que, aos poucos, vem se recuperando dos impactos pandêmicos.

Garantir a previsibilidade tributária, incentivar a manutenção dos empregos existentes e contribuir para a criação de novos postos de trabalho, preservar a saúde financeira das organizações que atuam no setor e contribuir para consolidar o país como uma referência no mercado internacional de eventos são alguns dos principais motivos pelos quais o programa deve ter a sua continuidade.

Diálogo em busca de soluções

Nesse tema, vale ainda ressaltar a importância do diálogo para a busca de soluções que promovam o desenvolvimento sustentável de todos os setores. Na área de eventos, o Perse não é apenas um programa de incentivo, é um vetor real de transformação com impactos sociais e econômicos positivos e que deve ter continuidade.

Sustentabilidade e capacitação

A sustentabilidade é um tema recorrente em praticamente todos os nichos mercadológicos. E, evidentemente, o mesmo acontece com o setor de eventos. Através da norma ISO 20121, desenvolvida para auxiliar a realização de ações empresariais, desportivas e culturais, estão estabelecidas informações sobre as melhores práticas sustentáveis.

O Brasil, que é reconhecido como líder em sustentabilidade na América Latina, possui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, legislação que apresenta avanços importantes no combate aos problemas ambientais, sociais e econômicos derivados da destinação inapropriada de resíduos sólidos.

Essa expertise que o país possui no tema, pode e deve servir como um verdadeiro elemento impulsionador para o desenvolvimento no mercado nacional de eventos que tenham a sustentabilidade com um diferencial.

Através da união e da colaboração estreita entre a esfera pública e os realizadores da área, é possível criar cursos e capacitações focados no assunto e contribuir de forma simultânea para compartilhar e democratizar os conhecimentos e formar profissionais ainda mais habilitados para enfrentar os desafios contemporâneos.

Eventos e ações eco-friendly há muito deixaram de ser uma tendência e se consolidaram como uma necessidade do setor para ampliar sua competitividade. A união entre a gestão pública e as organizações do setor privado pode abrir novos horizontes para tornar o Brasil também uma referência também em eventos sustentáveis.

Cooperação e parceria

Um aspecto interessante e que contribui para incentivar ainda mais a cooperação entre a gestão pública e os empresários do setor é que a parceria pode se manifestar de diversas formas, desde que respeitando as legislações vigentes.

Modalidades de cooperação como o patrocínio, em que a administração pública disponibiliza apoio financeiro ou em recursos para as ações; a cessão de espaços, em que áreas públicas como parques e praças são cedidas para a realização de ventos; ou, ainda, acordos de cooperação, em que as responsabilidades são compartilhadas e os benefícios também são mútuos, são algumas maneiras de viabilizar o processo de cooperação.

Analisando de forma global o setor de eventos, podemos concluir objetivamente que a união entre o poder público e os organizadores de eventos é uma ação prioritária no desenvolvimento do setor, impactando de forma positiva o segmento e a sociedade como um tudo. Com base na transparência e no respeito à legislação, o sucesso de um evento pode ter se início muito antes, na própria formatação de um projeto concebido de forma coletiva, democrática e participativa.

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