O setor de eventos e desenvolvimento econômico das cidades caminham cada vez mais juntos no Brasil. Dados recentes mostram que o segmento já não é apenas uma engrenagem do entretenimento e dos negócios corporativos, ele se firmou como um dos principais motores da economia urbana.
Um levantamento divulgado no primeiro semestre de 2026 pelo site Veja Negócios apontou um consumo superior a R$25 bilhões apenas nos dois primeiros meses do ano no setor de eventos e entretenimento, o melhor resultado da série histórica iniciada em 2019.
O mesmo estudo mostrou que o ecossistema em torno dos eventos (turismo, hospedagem, alimentação, publicidade e infraestrutura) ampliou de forma expressiva o número de vagas de trabalho na última década, um salto de quase 24% em relação a sete anos atrás.
Das grandes metrópoles às cidades menores do interior, congressos, feiras, festivais, eventos esportivos e shows movimentam cadeias produtivas inteiras, geram emprego e renda e atraem investimentos. Para gestores públicos, sediar eventos também significa fortalecer a imagem do município diante da população, dos turistas e do setor empresarial.
Cenário competitivo: por que sediar eventos virou estratégia
A globalização ampliou fronteiras e tornou a disputa por investimentos, pública ou privada, ainda mais acirrada. Nesse contexto, sediar eventos de grande porte deixou de ser apenas uma ação pontual para se tornar uma estratégia de crescimento.
O legado de um evento vai muito além dos dias de programação: seus efeitos podem ser sentidos meses ou até anos depois, deixando uma herança de valor permanente para a população local.
Um exemplo internacional ilustra bem esse fenômeno: Spielberg, pequena cidade montanhosa da Áustria com cerca de 5 mil habitantes, se transforma completamente ao sediar uma etapa da Fórmula 1. Em 2026, a prova de 28 de junho reuniu um público estimado em 320 mil pessoas, com 100% dos ingressos vendidos. O impacto na rede hoteleira, no setor gastronômico, no comércio e nos serviços turísticos beneficiou diretamente a população e boa parte do empresariado local.
Infraestrutura e turismo: um legado que permanece
Um dos benefícios mais evidentes de sediar eventos é a geração de emprego e renda, direta e indireta. Mas os ganhos vão além disso e alcançam áreas estratégicas do desenvolvimento urbano.
Cidades que recebem eventos importantes costumam atrair investimentos públicos e privados em:
- Mobilidade urbana
- Iluminação e segurança pública
- Espaços públicos
- Centros de convenções e estruturas voltadas ao setor
Mesmo quando a motivação inicial é um evento específico, essas melhorias permanecem como patrimônio da cidade, elevando a qualidade de vida da população e tornando o município mais atrativo para futuros investimentos.
Há ainda o efeito sobre o turismo: eventos de grande visibilidade projetam a cidade na mídia e nas redes sociais, fortalecendo sua marca e atraindo novos visitantes. E diferentemente do turismo tradicional, concentrado em períodos de férias, o turismo de eventos acontece o ano inteiro, o que reduz a sazonalidade e garante mais estabilidade para hotéis, restaurantes e transportadoras.
Os destinos mais procurados para eventos no Brasil
A segunda edição da pesquisa “O Mercado de Eventos Associativos no Brasil” mapeou os destinos nacionais mais escolhidos para eventos corporativos. O top 10, em ordem, é formado por:
- São Paulo
- Brasília
- Rio de Janeiro
- Fortaleza
- Belo Horizonte
- Campinas
- Cuiabá
- Porto Alegre
- Salvador
- Balneário Camboriú
O que chama atenção nessa lista é a diversidade: são cidades de quatro das cinco regiões do país, entre litoral, grandes centros urbanos, cidades históricas e polos do agronegócio. Isso mostra que ainda há um potencial de crescimento enorme para o setor em todo o território nacional.
Impactos para a gestão pública
O crescimento da atividade econômica gerada pelos eventos também beneficia diretamente a administração pública: mais arrecadação de impostos significa mais recursos para investir em educação, saúde e infraestrutura. Ao mesmo tempo, os eventos fortalecem a reputação da cidade, ampliando sua capacidade de atrair novos investimentos e sediar futuras iniciativas.
Para que esses resultados se concretizem, o planejamento é essencial. Um setor de eventos sólido depende da integração entre poder público, iniciativa privada, entidades do setor e comunidade. Incluir os grandes temas do desenvolvimento urbano nesse debate é o que garante um crescimento equilibrado, sustentável e responsável.
Quer continuar acompanhando as transformações do setor de eventos e seu impacto nas cidades? Confira outros artigos como este no Blog da SB+ e fique por dentro das próximas análises.

