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Entre os dias 10 e 21 de novembro as atenções de todo o mundo estarão voltadas para o Brasil, especialmente no que diz respeito às preocupações com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Nesta data acontece na cidade de Belém, no Pará, a COP 30, evento que já conta com a presença confirmada de 162 países. A expectativa é que o mais importante fórum de debates mundiais sobre as mudanças climáticas atraia um público superior a 60 mil pessoas para o país, além de movimentar os mais diversos setores econômicos.
Dados registrados pelo Governo Federal indicam que na cidade sede há 53 mil leitos disponíveis, incluindo quartos de hotel, residências de temporada, hospedagem em navios e Airbnb. Se Belém está preparada em termos de números hoteleiros para atender a demanda, a elevação dos preços vem causando muitas críticas. Um exemplo que demonstra o superfaturamento de alguns estabelecimentos ganhou repercussão na mídia mundial: um motel, cuja diária nos dias normais é de R$ 70, elevou as tarifas para R$ 2 mil no período do encontro.
Não há dúvidas que um evento dessa natureza pode e deve ser explorado pelo segmento turismo e por outros nichos de mercado. Entretanto, claramente, é necessário estabelecer limites e evitar que ações pontuais e antiéticas contribuam para diminuir o interesse de futuras ações no país.
A COP 30 já é um marco histórico para o setor de eventos brasileiro. Mesmo que o período de reuniões se estenda por menos de duas semanas, seu legado deverá permanecer no país por muito tempo. E para que a iniciativa seja um sucesso, administração pública, setor privado e todo o público que prestigiará a iniciativa precisam fazer sua parte.
Eventos paralelos
Um aspecto interessante da COP 30 é que ela não se restringe unicamente aos debates e palestras que serão realizados na conferência principal, cujo protagonismo ficará a cargo dos líderes e representantes das nações participantes. Em paralelo à programação oficial haverá uma série de ações que acontecerão de forma simultânea ao evento principal.
Entre as iniciativas que terão lugar durante os dias do evento está a Cúpula dos Povos, organizada por movimentos populares para dar visibilidade a propostas sociais e territoriais; a Zona Verde, que se constitui como um espaço aberto à sociedade civil, empresas, ONGs, coletivos e universidades; e a Conferência da Juventude do Clima, que aborda a manifestação e ação dos jovens com foco nas temáticas ambientais.
Vale também lembrar que no período pré-evento, diversas ações ganharam espaço e contribuíram para dar ainda mais visibilidade para a COP 30. Iniciativas como os seminários “Resiliência Climática e Redução de Riscos em Cidades Costeiras” e “Conhecimento à Ação: Diálogo Estratégico para a COP30”, além do encontro “Global Renewables Alliance”, com foco na energia renovável, trouxeram ainda mais publicidade para a ação principal.
Representatividade e diversidade
Por se tratar de um evento de alcance global, em que haverá representantes da maioria absoluta dos países do mundo, a forma com que a COP 30 está abordando questões como a representatividade e a diversidade pode contribuir para ampliar as ações com esse foco nos eventos.
Durante a conferência, haverá espaços destinados a diferentes grupos étnicos como, por exemplo, indígenas, quilombolas e periféricos. Essa pluralidade também se manifestará de outras formas como na alimentação, através da oferta de pratos regionais; na cultura, por meio da exposição de acervos; e na própria estrutura do evento, especialmente na Zona Verde, espaço dedicado a diversos temas, oficinas e ações culturais.
Ainda que diversos grupos expressem o desejo de ter sua participação ampliada e potencializada durante o evento ambiental de Belém, as políticas de caráter inclusivo devem se caracterizar como um diferencial da COP 30 e, principalmente, como um como um importante lugar de fala para públicos que, muitas vezes, são marginalizados das grandes ações.
Comunicação e marketing
Com uma agenda de debates que tem como objetivo encontrar soluções para reduzir os impactos ambientais das ações humanas no planeta, a COP 30 será um panorama das técnicas mais avançadas e modernas no setor. Isso faz também com que o evento seja uma excelente oportunidade para empresas e organizações utilizarem as ferramentas de comunicação e marketing para apresentar ao público suas ações na área.
De acordo com a pesquisa global “Gen Z and Millennial Survey 2025”, as gerações Z e os millennials se preocupam muito com os temas ligados ao meio ambiente. O estudo constatou que, no Brasil, 81% dos entrevistados pertencentes à geração Z e 79% dos millennials demonstraram aflição quanto aos impactos sofridos pelo meio ambiente.
Dados como esse ressaltam que é grande o interesse do público sobre o assunto. Empresas e marcas dos mais diversos setores, que adotam políticas sustentáveis ou de redução de impactos ambientais e sociais, podem utilizar a realização do evento como um momento adequado par informar seu público-alvo, apresentando resultados e servindo como inspiração para a comunidade.
Infraestrutura e mobilidade urbana
A realização de um evento de escala mundial como a COP 30 é algo que impacta de forma direta o desenvolvimento local. Assim como já aconteceu no Brasil em outros momentos como quando da realização da Copa do Mundo ou das Olimpíadas, investimentos em obras estruturantes estão sendo realizados para que as atividades da conferência ocorram da melhor forma possível.
Esses investimentos, por si, já são uma boa notícia. Se eles estiverem associados a um crescimento ordenado, planejamento e levando em consideração as preocupações com o meio ambiente, o evento deve deixar em Belém uma estrutura de alto padrão para receber ações semelhantes de agora em diante.
Ainda nessa análise, não há dúvidas também que a mobilidade urbana será um grande desafio a ser superado. Como é comum a diversas metrópoles brasileiras, o tema não recebe a atenção que merece na capital paraense e os gestores do evento terão que ser criativos para organizar o fluxo de pessoas e veículos durante os dias de debate. Essa busca por soluções deve ser compartilhada e servir como referência para eventos globais tendo como sede o Brasil.
Benefícios permanentes
Muitos serão os benefícios sociais permanentes para sociedade brasileira com o evento de Belém. Do aprofundamento das discussões sobre o financiamento climático à inclusão de aulas de educação ambiental na rede de ensino, o meio ambiente ampliará sua relevância no país. Para o setor de eventos, o legado também será duradouro. Potencializando as oportunidades e buscando soluções para as demandas e desafios, a COP 30 deve confirmar o Brasil como um destino prioritário para eventos internacionais, contribuindo de forma sólida para ampliar e fortalecer os resultados do setor daqui para frente.
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