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O Brasil está prestes a sediar um evento histórico. O estado do Pará será o palco da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro.
Considerado o principal fórum mundial sobre o tema, o encontro reúne anualmente líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para debater e apresentar soluções no combate às mudanças climáticas em todo o planeta.
Para o Brasil, o encontro representa uma excelente oportunidade para reforçar o seu protagonismo no tema, destacar as ações realizadas com foco na sustentabilidade em todo o território nacional e consolidar sua posição no panorama mundial de eventos. Vale lembrar que o Brasil já foi cenário da Eco-92 que serviu para potencializar em todo o mundo a importância do debate ambiental.
No que tange a realização do evento, os números são significativos. Conforme dados divulgados por estimativas da Fundação Getúlio Vargas, é esperado no país um fluxo superior a 40 mil visitantes durante o período da conferência. Desse total, aproximadamente 7 mil estão diretamente relacionados com o evento e tem peso importante nos debates e discussões.
Se é inegável a representatividade do Brasil como referência no debate sobre as questões ambientais, uma importante dúvida se apresenta faltando pouco mais de três meses para o início da conferência: como está a capacidade do país para receber um evento dessa natureza?
Notícias divulgadas na primeira semana de agosto destacam que o tema deve sim ser motivo de preocupação. Hotéis localizados em Belém mudaram de nome e elevaram o preço das diárias de R$ 70 para mais de R$ 6 mil durante o evento. A reserva de hospedagem através de aplicativos demonstra que até mesmo a diária de motéis, cuja característica marcante é possuir preços mais atrativos, chegam a custar mais de R$ 1 mil durante o período dos debates.
Conforto e bem estar
O aumento exagerado dos preços, é claro, foi motivo de assunto na mídia internacional, com as delegações dos países participantes desaprovando de forma contundente o reajuste desproporcional.
Para combater a inflação desmedida, especialmente visando o conforto e bem estar dos participantes diretamente envolvidos, o governo brasileiro disponibilizou uma plataforma com 2,7 mil quartos, além de oferecer 2,5 mil quartos individuais para os 196 países participantes.
E como o bem estar do público também deve ser uma preocupação prioritário para quem organiza um evento, o público poderá contar com os serviços do SUS – Sistema Único de Saúde que estarão realizando atendimento nos três níveis de complexidade: primário, secundário e terciário. Este modelo de atendimento já foi utilizado de forma eficiente em outros eventos de grande porte no país, como a Copa do Mundo (2014), os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (2015) e Jogos Olímpicos (2016).
Capacitação
Outra temática relevante no mercado de eventos também ganhou destaque especial na COP30: a capacitação dos profissionais. A organização está promovendo a seleção de aproximadamente 4 mil voluntários para auxiliar na organização. E para terem as competências necessárias para o exercício das atividades, os voluntários participarão de um treinamento específico e direcionado que abrange conhecimentos na área de turismo, comunicação, clima e, até mesmo, de organização de eventos de grande porte.
O ápice de uma tendência que cresce de forma contínua
A questão ambiental é um tema que transcende fronteiras e posicionamentos ideológicos. Cuidar do meio ambiente e planejar um desenvolvimento sustentável são ações que unem o mundo, independentemente de bandeiras ou territórios.
Com essa concepção histórica e social, a COP30 também se apresenta como o ápice dos eventos realizados no Brasil que tem como foco o universo ESG – Environmental, Social and Governance. De forma objetiva, o que une as ações nessa área é a busca para minimizar os impactos ambientais e construir um mundo mais justo e responsável.
Ações dessa natureza crescem em quantidade e qualidade no país e um dos eventos mais destacados é o ESG Summit. O evento que acontece nos dias 28 e 29 de agosto em São Paulo irá promover conexões entre os players do setor através da abordagem de temas que vão da estratégia e governança, passam pela sustentabilidade e os impactos ambiental, e chegam à cultura, inclusão e engajamento sobre o assunto.
Nessa linha, vale ainda lembrar a importância dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que inspiram um número cada vez maior de organizações a promovem ações no presente buscando um futuro melhor.
A COP30 irá contribuir de forma significativa para ampliar a qualificação profissionais e os debates ligados ao tema no país e, certamente, funcionará como um vetor de impulsionamento para novas ações e eventos na área.
O evento mais importante do século
Durante o Fórum LIDE COP 30, encontro preparatório que aconteceu no último mês de maio, Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável, uma das principais convidadas da iniciativa, afirmou que “esse é o evento mais importante do século para o país. Nós somos responsáveis por fazê-la dar certo.”
Descontando a euforia e entusiasmo da fala, o encontro ambiental se consolidará como um marco para o país e para o setor de eventos brasileiros.
Tendo em seu território a maior parte da Amazônia e algumas das mais incríveis belezas naturais do planeta, o Brasil vem se consolidando como uma referência na realização de grandes eventos. Rock in Rio, The Town e outras ações que já fazem parte do calendário nacional comprovam o potencial do país.
Somando-se capacidade técnica, cenários de rara beleza e um povo acolhedor, o Brasil caminha a passos largos para potencializar ainda mais a sua posição no mercado mundial de eventos.
Desafios e oportunidades
A vocação brasileira para a proteção ambiental é uma realidade inquestionável. Entretanto, para a realização da COP30, evento cujo debate gira em torno desse assunto, os desafios a serem vencidos ainda são muitos.
Além da questão da especulação financeira já abordada anteriormente, ainda existem diversos gargalos envolvendo logística e infraestrutura. A região amazônica, historicamente, apresenta carências que precisam ser resolvidas em áreas que englobam desde a capacidade da rede hoteleira até os planejamentos de segurança e mobilidade.
Na esteira do evento, as oportunidades também se destacam. A COP30 já pode ser considerada um marco para o país e com empenho dos envolvidos e a contribuição da sociedade, a conferência tem tudo para garantir um atestado de caráter mundial da competência brasileira na realização de eventos de grande porte.
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